terça-feira, 7 de julho de 2009

DE OLHO NA VIDA

DE OLHO NA VIDA


Há uma crise de confiança. O ser humano está envolvido pela desconfiança que o aguilhoa permanentemente, deixando-o desbaratado. Recentemente vivemos o clima eleitoral com um desfile interminável de promessas, que se cumpridas pelos candidatos eleitos fariam do nosso estado e do Brasil o Éden mais belo e formoso. Quantos de nós confiamos nesses discursos e propostas? Desconfiamos das pessoas que nos prestam serviço como o sapateiro, o relojoeiro, o porteiro do prédio, o encanador, o eletricista, o taxista, o mestre-de-obras e a lista poderiam ocupar todo o espaço desta coluna, é ou não é verdade?

Há pessoas que olham para o lado e perguntam se podem confiar no colega de trabalho. Concorda? Pior ainda é a desconfiança dentro de casa. Há homens e mulheres que não põem a mão no fogo pelo cônjuge. O mesmo acontece na relação entre pais e filhos. E não se pode esquecer que no trabalho, patrões e empregados, chefes e subordinados estão de pé atrás. Estou exagerando? Será? A vida presente me diz que estou bem perto da verdade. Vivemos sob o império da desconfiança. Isso significa desconforto, instabilidade emocional, desacerto na vida, chatice.

E agora, o que fazer? Chega um momento que a alma grita, o ser todo brada: chega, não agüento mais! E o desespero aumenta porque não há resposta e não há solução. Você dorme desconfiado, acorda desconfiando e passa o dia assim: descrente.

As pessoas interessadas na vida não se conformam com essa situação. Lá dentro da alma alguma coisa mexe e remexe em busca de uma saída para a falta de confiança em tudo e em todos. Permita-me convidar você para algumas reflexões. O homem só encontra a sua razão de ser se satisfaz os propósitos da criação. E Deus, o Criador, através do profeta Isaías esclarece que fomos criados para Sua glória. Isto significa que a nossa vida em todas as suas dimensões física, mental, moral e espiritual cumpre o propósito da criação ao glorificar a Deus mediante a aceitação plena de Sua soberania, sujeitando-se, a criatura, à Sua vontade, pelo amor reverente, sem medo, numa demonstração de reconhecimento da beleza, santidade e perfeição do Seu caráter.

Se o propósito maior da criação não é satisfeito - a glorificação de Deus - o homem se acha num impasse. O próximo ato do drama é a implosão do ser. Esmiuça-se. A Bíblia diz que os tais são "como a palha que o vento dispersa" Salmo 1:4. Você está vendo essa terrível realidade? Estou falando de auto-suficiência. Afinal de contas vamos ser cidadãos do terceiro milênio com todo o garbo que essa expectativa oferece! Então, para que levar em conta a influência de Deus em nossa vida? Por que fazer-Lhe a vontade? Por que guardar Suas leis? Por que conhecer e viver os Seus propósitos? Não necessitamos viver atrelado a essas coisas.


"Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dão em caminhos de morte"
Provérbios 14:12. Verdade cristalina! Aqui se encaixa o auto-suficiente que planeja sua vida sem Deus. Poderá, até, alcançar vitórias significativas nos estudos, na profissão, na busca do poder, no desejo da fama e chegar lá, na expressão de alguns. Um dia, ah, um dia o homem terá que encarar a realidade tal como é. O complexo emaranhado da vida leva esse homem a experimentar as coisas mais desagradáveis, abrindo um precipício aos seus pés. E lá vai ele despenhadeiro abaixo. E o bastar-se a si mesmo? Mordeu o pó. Acabou. Não sobrou nada.

Na conhecida parábola do filho pródigo Jesus mostrou o que acontece com a pessoa que se torna independente de Deus - perde o sentido real da vida. Não confia em mais nada, incluindo a frustração de pensar que jamais terá a oportunidade de ser restaurado por Deus e para Ele. Há mais pessoas nessa situação do que se imagina. Aí se instala a desconfiança em sua plenitude, mesmo porque ao lado dessa pessoa outras nas mesmas condições lhe fazem companhia na jornada da vida, tornando a desconfiança o troféu principal.

Na parábola narrada em Lucas 15:11 a 32 o jovem embolsou o dinheiro que lhe cabia na herança e saiu pela vida afora. Sua vontade obstinada passou a controlar a sua vida que se tornou sinistra. Esbanjou tudo. Viu-se abandonado. Não lhe parece um retrato fiel de muita gente que anda por aí sem rumo e vazio de significado na vida? No verso 17 lê-se: "Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome!" Viu-se sob a verdadeira luz. Sentiu a própria realidade e quão dura era. Desconfiara do amor do pai. O egoísmo e a ambição levaram a dar as costas à pessoa que mais o amava - seu pai. "Levantar-me-ei e irei ter com meu pai e lhe direi: Pai pequei contra o céu e diante de ti". Decide voltar para casa e confessar sua culpa. De longe o pai reconheceu o filho. Recebe-o com beijos e muita festa. "Porque este meu filho estava morto e reviveu , estava perdido e foi achado". O jovem estava perdoado. Era o recomeço.

Percebeu algo importante? O pai dessa parábola é o próprio Deus. Sim, é isso mesmo. Deus é Pai. Ele nos quer de volta e não deseja separar-se jamais, sabe por quê? Por que nos ama muito. Que tal, isso não mexe com você? Creio que sim. Mexe e muito, afinal de contas você não é um pedaço de pau, você tem um coração que bate aí no peito, você sente as coisas, você sente a vida. Você pode sentir o amor de Deus agora mesmo. E esse amor opera maravilhas em nós. Alimenta-nos de fé, ânimo, esperança e confiança. Ajuda-nos a descobrir as coisas boas nas pessoas e levá-las a fazer de Cristo o primeiro e o último em suas vidas. O amor de Deus é uma luz que não deixa escurecer o relacionamento humano proporcionando muitas alegrias no dia-a-dia. "O Senhor é misericordioso e compassivo: longânimo e assaz benigno como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que O temem". "Porque a Mim se apegou com amor, Eu o livrarei; pô-lo-ei a salvo, porque conhece o Meu nome" Salmo 103:8, 13; 91:14.

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